Voltar para o Brasil?

Esse era um assunto que eu queria escrever há um tempo já, porém fiquei tanto tempo tentando formular na cabeça as ideias certas e o que eu realmente queria dizer com isso, mas quanto mais eu pensava, mais parecia confuso. Então decidi colocar tudo pra fora do jeito que sair mesmo e desculpe se não fizer muito sentido pra você, pois acredite que pra mim também não faz muito não.. rs

Eu sei que preciso escrever mais da minha trajetória aqui e falar por todos os lugares que passei e como eu vim parar nesse outro continente, no meio de uma ilha que no fundo no fundo eu nem queria vir, mas que acabei me deixando levar por alguns vários motivos, mas que agora não cabem explicar. O que eu quero dizer é: voltar para o Brasil nunca foi uma opção para mim.

Depois de tanto sofrer da sindrome da indecisão, eu desenvolvi algumas técnicas até encontrar uma muito boa de tomar decisões por eliminatória. Afinal, eu precisava de um empurrãozinho para sair do mesmo lugar, né? E com isso acabei vindo parar na Irlanda. Na época eu pensei Voltar para o Brasil ou Ir para a Irlanda? Bom, se voltar para o Brasil é uma coisa que eu não quero agora pra minha vida, então vamos de Irlanda né. 

E a pergunta que não quer calar é: “Porque não voltar para o Brasil?” Primeiramente porque eu não quero ué haha. Mas pra ser sincera, voltar para o Brasil significa bem mais que só voltar. Para mim significa que eu desisti de correr atrás daquilo que eu queria quando eu coloquei o pé no avião pela primeira vez há quase 3 anos atrás. Então essa relação entre eu e meu querido País do coração na verdade é muito mais uma relação entre desistir ou seguir em frente. E o que eu mais quero agora é seguir em frente.

Mas jogando a real aqui. O que eu queria mesmo nessas ultimas semanas era poder sentar naquela mesa da cozinha da casa da minha vó, falar pra ela que tudo o que eu queria era aquele bolinho de cenoura com cobertura de chocolate e estar rodiada da minha familia conversando quase gritando enquanto amoçamos em um domingo qualquer. É disso que eu mais sinto falta, e por consequência, minha lingua, minha cultura e todos esses anos que nasci e cresci nessa terrinha chamada Brasil.

Pra minha tristeza eu não penso em voltar tão cedo, e não só pelo fato de não querer desistir, mas principalmente pela curiosidade enorme de saber o que é que eu vou encontrar do outro lado dessa aventura que eu tô cada vez mais perto.

E se?

Eu como uma legítima perdida e indecisa na vida, mas é claaaaaaro que na minha cabeça iam passar os famosos “E se?”.

“E se eu tivesse estudado o que eu sempre quis desde o começo?” “E se eu não tivesse me apaixonado por uma ilusão?” “E se eu tivesse esperado mais antes de fazer a faculdade?” “E se eu nunca tivesse saído de Chicago?” “E se eu tivesse largado tudo?” “E se eu tivesse feito tudo diferente?” E SE? Essas são as típicas frases que me assombram no dia a dia, principalmente quando eu fico pra baixo e meio chateada com o rumo que as coisas, ou melhor, minha vida tomou.

Não é que eu não esteja feliz hoje em dia por ter chego tão longe, porque de certa forma eu estou, mas o principio básico do pensamento “E se?” vem da insatisfação. E como qualquer outro ser humano habitante desse planeta terra, sim, eu me sinto insatisfeita com muitas coisas na minha vida. Acho que talvez até um pouco frustrada e arrependida de ter tomado certas decisões que poderiam ter dado um rumo totalmente diferente na minha existência. E por conta disso é que continuo sendo perseguida pelas possibilidades infinitas das vidas que eu poderia ter tido.

MENINA, cê ta doida? Ficar se martirizando por essas coisas, remoendo e se frustrando por coisas que nunca aconteceram. PARA NÉ.” Gente, eu vou parar, eu juro haha (rindo de nervoso), mas vou te contar que não é nada fácil simplesmente parar com um habito/mania que acontecem por anos, se não, minha vida toda. Inclusive porque isso é quase que a linguagem básica do meu cérebro hoje em dia, e se desligar desses pensamentos vem sendo meu foco principal, minha missão de 2019.

E para os desesperados igual a mim: “E como tu ta fazendo isso, me conta, por favor.”

Bom, com muita meditação, me policiando e vigiando cada pensamento meu durante o dia. E como é difícil viu.. Preciso me policiar o tempo todo e ao invés de simplesmente pensar “E se?” agora eu penso, “quando vou fazer isso?”. E eu acredito que isso tenha me ajudado bastante, porque agora eu começo a transformar uma simples hipótese em vida real. E isso tem me motivado bastante e me ensinado a ver a vida de outra forma, a minha vida, de uma forma que eu já tinha vivido mas que ainda não tinha percebido.

Agora, E se eu tivesse feito tudo aquilo que eu disse ali no começo dos E se. Sera que hoje eu teria o mesmo conhecimento e os mesmos aprendizados que eu tive pra chegar ate aqui? Sera que eu estaria melhor? Pior? Bom, isso eu não tenho ideia, e nunca vou ter, mas tenho certeza de que tudo o que eu passei na minha vida, todos os caminhos que trilhei, todas as pessoas e lugares que conheci, tudo o que eu vivi foi exatamente o que eu precisava, no tempo que tinha que ser e é nessa certeza que eu me apego e continuo seguindo em frente, porque tudo tem seu tempo e ficar “wondering” não vai levar ninguém a lugar nenhum, entao como diz uma marca ai bem famosa:

“Just do it”.

*wondering = ficar se perguntando, imaginando como seria que..
*just do it = apenas faça.